«As nuvens existiam já no céu antes do dia em que nos encontrámos pela primeira vez. Desde então, continuam as suas incansáveis jornadas ignorando fronteiras, raias, limites. Na sombra das nuvens, todos os lugares são longe daqui, e em todos eles começa e acaba cada uma das nossas infinitas viagens interditas

22.8.08

Quando tu entrasses por aquela porta

[#64] | Sérgio Godinho | Às vezes o amor | Ligação Directa | 2006


que hei-de eu fazer / Eu tão nova e desamparada / quando o amor / me entra de repente / p'la porta da frente / e fica a porta escancarada?
vou-te dizer / a luz começou em frestas / se fores a ver / enquanto assim durares / se fores amada e amares / dirás sempre palavras destas
p'ra te ter / p'ra que de mim não te zangues / eu vou-te dar / a pele, o meu cetim / coração carmesim / as carnes e com elas sangues
às vezes o amor / no calendário, noutro mês, é dor, / é cego e surdo e mudo / e o dia tão diário disso tudo
e se um dia a razão / fria e negra do destino / deitar mão / à porta, à luz aberta / que te deixe liberta / e do pássaro se ouça o trino?
por te querer / vou abrir em mim dois espaços / p'ra te dar / enredo ao folhetim / a flor ao teu jardim / as pernas e com elas braços
às vezes o amor / no calendário, noutro mês, é dor, / é cego e surdo e mudo / e o dia tão diário disso tudo
mas se tudo tem fim / porquê dar a um amor guarida / mesmo assim / dá princípio ao começo / se morreres só te peço / da morte volta sempre em vida
às vezes o amor / no calendário, noutro mês, é dor, / é cego e surdo e mudo / e o dia tão diário disso tudo
e o dia tão diário disso tudo / da morte volta sempre em vida

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